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A Igreja e o Grande Reset

O coordenador do Fórum Econômico Mundial, esta organização que reúne os principais nomes da economia mundial anualmente e que busca dar as diretrizes para a vida econômica do planeta, o alemão Karl Schwab (cuja filha é uma das grandes vozes de implementação da “ideologia de gênero” no mundo corporativo), escreveu, recentemente, um livro em que diz claramente que os episódios que envolvem a pandemia do COVID-19 devem ser utilizados a fim de que se tenha um “grande reset” do sistema econômico mundial, ou seja, que se tenha uma “reinicialização”, um “reinício” da economia global.

Este entendimento deste verdadeiro porta-voz da elite econômica do mundo faz coro às ideias lançadas na última Assembleia Geral Ordinária da Organização das Nações Unidas, notadamente pelo secretário-geral daquele órgão, o socialista português Antonio Gutierres, segundo o qual o “quinto cavaleiro do Apocalipse”, a saber, a pandemia, exige que todos aceitem um “novo acordo em nível internacional”, com o estabelecimento de “uma nova geração de proteção social”, que inclua “uma cobertura de saúde universal e a possibilidade de uma renda básica universal”, a criação de um “poder global”[1].

Para tanto, disse o secretário-geral da ONU, já há o apoio de líderes religiosos, com destaque para o Papa Francisco, que, em dezembro de 2019, já havia dado todo seu apoio a esta política de “paz e harmonia e combate ao ódio crescente” e que, reunido com outras lideranças religiosas, em outubro de 2020, assinaram um “apelo pela paz”, onde se fez a seguinte proclamação: “Somos irmãs e irmãos, todos! Peçamos ao Altíssimo que, depois deste tempo de provação, deixe de haver ‘os outros’ para existir apenas um grande ‘nós’ rico de diversidade.”[2]

Todos querem, como se vê, “recomeçar” o mundo, um mundo em que haja um “poder global”, um “nós rico de diversidade”, em que as pessoas não mais se distingam pelas suas nações, pelos interesses de seus países, pelas suas crenças, mas onde haja um só governo, um só sistema trazendo “paz e harmonia a todos os homens”.

Simultaneamente em que isto é defendido e divulgado, todos os que pensam contrariamente são sistematicamente eliminados ou silenciados.

As medidas de combate à pandemia são caracterizadas pelo autoritarismo e pela censura nos meios de comunicação e nas redes sociais, enquanto que os segmentos políticos contrários a um globalismo e infensos a uma unidade religiosa são sistematicamente retirados do poder e calados, não raras vezes após eleições questionáveis e rearranjos de poder que afastaram, em pouco menos de dois anos, todas as mais vigorosas vozes contrárias a esta posição política.

A perseguição à Igreja aumentou grandemente e, se temos o aumento vertiginoso dela em países como a China, também vimos o seu crescimento em lugares que até então pareciam infensos a isso, como os próprios Estados Unidos da América e, porque não dizer, até mesmo o Brasil.

O “grande reset” mostra-se, assim, como o início de um sistema global de poder que visa, como disse o secretário-geral da ONU, colocar em prática a Carta da ONU, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Agenda 2030 e o Acordo de Paris.

Ora, tanto a Agenda 2030 quanto o Acordo de Paris são resultado de uma ideologia diametralmente contrária à Palavra de Deus, basta ver que, por detrás destes documentos, estão conceitos advindos da chamada “Carta da Terra”, que o ex-presidente soviético, Mikhail Gorbachev, dizia serem “os novos dez mandamentos” ou “um novo sermão da montanha”, querendo, com isso, dizer que se tratava de um substituto de toda a “moral judaico-cristã”, ou seja, dos princípios advindos da Bíblia Sagrada[3].

Estamos, portanto, a ver nascer, claramente, a implementação final de todo um sistema que contraria as Escrituras, aquilo que elas denominam de “mistério da injustiça” (II Ts.2:7), de “espírito do anticristo” (I Jo.4:3).

Diante disso, que já nos indica que o Senhor Jesus está muito próximo de arrebatar a Sua Igreja, pois Ele não permitirá que Seu povo sofra a ira futura (I Ts.1:10) e a hora da tentação que virá sobre todo o mundo (Ap.3:10), é momento de a Igreja também fazer um “grande reset”.

É preciso que “reinicializemos” nossas igrejas locais e que, ante estes dados, imediatamente nos lancemos, de corpo, alma e espírito, a um último esforço evangelizador.

Jesus está às portas, o tempo da Igreja está se findando e, precisamos, nestes últimos instantes, agir com o mesmo denodo e dedicação dos trabalhadores da última hora da parábola dos trabalhadores da vinha (Mt.20:7), retomando a evangelização, a fim de que possamos arrebatar alguns do fogo eterno (Jd.23).

Como disse recentemente, numa conversa, o pastor Hermes Barreto, pastor do Setor 112 (Vila Diva) do Ministério do Belém, “o cerco já se fechou, precisamos buscar ao Senhor, cuidar da nossa salvação e nos empenhar para ganhar as almas que ainda podemos alcançar”.

O Senhor Jesus disse que, quando víssemos acontecer os sinais de Sua vinda, deveríamos levantar as nossas cabeças e olhar para cima porque a nossa redenção está próxima (Lc..21:28).

Levantar a cabeça é não desanimar, é continuar a missão que nos foi confiada, que é a pregação do Evangelho aos incrédulos e o ensino da Palavra aos crentes (Mt.28:19,20; Mc.16:15; Lc.24:46-49, Jo.20:21).

Olhar para cima é pensar nas coisas que são de cima, nas coisas espirituais, obtendo o necessário poder de Deus para sermos testemunhas de Jesus até o arrebatamento (Cl.3:1-4; At.1:8).

Só quem assim proceder, demonstrando concretamente que sabe em que tempo está vivendo (e, deste modo, não repetindo o erro fatal dos judeus quando da primeira vinda do Senhor Jesus – Cf. Mt.16:3), não será surpreendido pelo retorno do Senhor e, como servo fiel e prudente, apropriar-se-á da herança que está reservada para nós (Mt.24:45-47; I Pe.1:3,4).

Quem, porém, apesar destes sinais, ficar despercebido, não buscar ao Senhor nem tampouco se envolver na obra do Senhor, não atentando para esta tão grande salvação, não escapará (Hb.2:2-4), não conseguirá se desviar da maldade (At.2:19-26) e terá um triste fim de perdição (Mt.24:48-51).

Então, vamos fazer um “grande reset” em nossa vida espiritual para podermos brevemente encontrar com Jesus nos ares? A escolha é sua!


[1] Discurso do secretário-geral da ONU na abertura da Assembleia Geral Ordinária de 2020. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/92047-discurso-do-secretario-geral-da-onu-antonio-guterres-na-abertura-da-assembleia-geral-da-onu Acesso em 26 dez. 2020.

[2] Líderes religiosos em apelo pela paz: um mundo sem guerras não é utopia. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-10/papa-francisco-apelo-paz-nunca-mais-a-guerra-roma-campidoglio.html Acesso em 26 dez. 2020.

[3] “..Minha esperança é que esta carta será uma espécie de Dez Mandamentos, um ‘Sermão da montanha’, que fornece um guia para comportamento humanocom o meio ambiente no século seguinte” – Mikahil Gorbachev, Los Angeles The Times, 08 maio 1997.

Caramuru Afonso

Caramuru Afonso

Evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus - Ministério do Belém - sede - São Paulo/SP, onde é o responsável pelo Estudo dos Professores e Amigos da Escola Bíblica Dominical e professor de EBD. Doutor em Direito Civil e Bacharel em Filosofia pela USP. Juiz de Direito em São Paulo