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A “FRATERNIDADE HUMANA”

Vivemos dias difíceis, o princípio das dores, onde, de forma irreversível, estão se estabilizando, em todo o mundo, as bases para o início do governo do Anticristo, a nos mostrar quão próximos estamos do Arrebatamento da Igreja.

Esta pandemia da COVID-19 tem sido utilizada como um pretexto para a aceleração de diversas providências que têm por objetivo instalar um governo mundial que tenha condições de implementar a Agenda 2030 e tantas outras propostas que são defendidas por segmentos que têm em comum a sua aversão pelos valores chamados “judaico-cristãos”, ou seja, pelos valores e princípios defendidos pela Bíblia Sagrada, pela Palavra de Deus, pela testemunha de Cristo Jesus (Jo 5.39).

A Organização das Nações Unidas, no final do ano de 2020, instituiu uma data comemorativa, denominada de “Dia da Fraternidade Humana”, que passou a ser celebrada a partir de 2021, no dia 4 de fevereiro, tendo sido escolhida este dia porque, em 4 de fevereiro de 2019, o Papa Francisco e o Grande Ímã de Al-Azhar, Ahmed el-Tayed, uma das principais lideranças muçulmanas do mundo, assinaram o “Documento da Fraternidade Humana para a Paz e Coexistência Mundial”, também conhecida como “Declaração de Abu-Dhabi”.

Seguindo esta mesma linha, o Papa Francisco publicou uma encíclica, ou seja, uma carta de ensino aos católicos, em 3 de outubro de 2020, denominada “Fratelli tutti”, onde reafirma a ideia de que todos os homens são irmãos.

Papa Francisco e o Grão Imame de Al-Hazar Assinam documento sobre a Fraternidade Humana 04.02.2019

Esta ideia da “fraternidade humana” apresenta-se, assim, como a linha mestra do pensamento que se está querendo incutir entre todas as religiões do mundo, qual seja, a ideia de que todos os seres humanos são irmãos e, portanto, devem conviver superando as diferenças e tendo mútua tolerância.

Tal pensamento está calcado em meias-verdades que, como sabemos, constituem-se em mentiras inteiras.

Por primeiro, é evidente que, sob o aspecto biológico, todos os seres humanos são irmãos, porque descendem de um mesmo casal ancestral, como fez questão, aliás, de relembrar aos filósofos gregos reunidos no Areópago em Atenas o apóstolo Paulo (At 17.26), algo, a propósito, já demonstrado pela ciência[1].

Por segundo, sob um aspecto analógico, ou seja, até certo ponto sob uma linguagem figurada, todos os seres humanos, por terem sido criados por Deus, são filhos de Deus, por criação, e, também, são “irmãos por criação”, o que também tem base bíblica, já que, em razão disto, Deus é chamado de “Pai dos espíritos” (Hb 12.9).

Por terceiro, já que todo ser humano é irmão biológico do outro e irmão por criação, tem-se, claramente, que cada um de nós é próximo do outro, o que o Senhor Jesus nos deixou bem claro no ensino que deu na parábola do bom samaritano (Lc 10.25-37), de modo que devemos nos amar uns aos outros, pois, como servos do Senhor Jesus, devemos amar o próximo como a nós mesmos (Mt 22.39; Mc 12.31).

Partindo destas três verdades bíblicas, a ideia da “fraternidade humana” diz que devemos tratar a todo ser humano como “irmão”, pois “…a fraternidade humana os abraça a todos, une-os e os torna iguais…”[2], já que Deus “…criou todos os seres humanos iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade e os chamou a conviver entre si como irmãos, a povoar a terra e a espalhar sobre ela os valores do bem, da caridade e da paz.…”[3].

Este “tratamento como irmãos” envolve um “diálogo entre crentes”, que “…significa encontrar-se no espaço enorme dos valores espirituais, humanos e sociais comuns, e investir isto na propagação das mais altas virtudes morais que as religiões solicitam; significa também evitar as discussões inúteis.…”[4].

Nota-se, portanto, que a “fraternidade humana” faz com que se tenha uma defesa de uma “comunhão de valores” a ser perseguido, independentemente das diferenças existentes entre as mais diversas religiões e crenças, diferenças que devem ser tidas como “discussões inúteis”.

Ora, a proposta de Deus para a humanidade é a salvação na pessoa de Jesus Cristo. É n’Ele que Deus quer congregar todas as coisas (Ef 1.10), pois foi Ele quem foi morto antes da fundação do mundo para resgatar a união entre Deus e os homens (Ef 1.4; Hb 9.26; 1 Pe 1.20).

Portanto, não é na “comunhão de valores espirituais humanos” que nós poderemos encontrar a justiça e a paz, como defende a ideia de “fraternidade humana”, pois unicamente em Cristo, Deus feito homem, que é o único que pode unir a todos os homens numa irmandade espiritual, pois Ele é o primogênito dentre muitos irmãos (Rm 8.29).

A “fraternidade” decorrente da criação e da biologia não tem o condão de nos trazer uma “comunhão espiritual” e esta comunhão espiritual somente é válida se for feita na pessoa de Jesus, a “luz do mundo” (Jo 8.12), uma comunhão primeiramente com Deus e, depois, com os homens, pois como nos diz o apóstolo João, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado (1 Jo 1.7).

E aí exsurgem os dois grandes ausentes nesta ideia de “fraternidade humana”: Deus e o pecado.

Embora Deus seja mencionado na Declaração de Abu Dhabi, a fraternidade de que se fala é “humana” e Deus fica à margem de todo o esforço humano que deve ser feito para que se tenha convivência, tolerância e paz.

Veja que a Declaração diz que os homens foram espalhados pela Terra para defender os valores do bem, da caridade e da paz, quando, na verdade, este espalhar se deu contra a vontade dos homens que, na sua soberba e rebelião, quiseram confrontar a ordem divina (Gn 11.4-6) e, ao serem espalhados, não mais comunhão tinham com o Senhor que, inclusive, teve de formar uma outra nação para que nela pudesse Se fazer carne.

Como, então, poderiam estas nações promover os valores divinos, se estavam em rebelião contra Deus? Defender que tais nações se unam para tal promoção é esquecer que, do imundo, ninguém consegue tirar o puro (Jó 14.4).

Não é por outro motivo que Jesus formou uma nação santa que fosse ao mundo e ensinasse as nações, trazendo-as, em Seu nome, para a comunhão com Deus (1 Pe 2.9,10; Mt 28.19,20; Mc 16.15).

Entretanto, nesta ideia de “fraternidade humana”, não pode haver “discussões inúteis”, ou seja, as diferenças não podem ser realçadas e, deste modo, impossível passa a ser a evangelização, a pregação do Evangelho.

Não é de se admirar, pois, que o Papa Francisco tenha aconselhado jovens a não fazer “proselitismo religioso” em um evento em Roma em 20 de dezembro de 2019[5].

Não se deve pregar o Evangelho num ambiente de “fraternidade humana”, pois se busca a “comunhão dos valores espirituais” e tal comunhão, por ser humana, evidentemente não pode se referir ao Evangelho, “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16).

Nesta “fraternidade humana”, não se pode pregar o Evangelho e é bem por isso que o Evangelho e sua pregação são tenazmente perseguidos no mundo e, na Grande Tribulação, todos quantos o pregarem e nele crerem serão mortos (Ap 6.9-11; 13.7,10).                        

Deus é o grande ausente nesta “fraternidade humana”, pois o Evangelho é o Seu poder para a salvação.

Por isso mesmo, temos que o segundo grande ausente na “fraternidade humana” é o pecado.

Os “valores espirituais comuns” não permitem que se reconheça que o homem é pecador e que está separado de Deus, precisando se arrepender do pecado e crer em Jesus para que seu pecado seja perdoado.

Não há distinção entre o pecado e o pecador no discurso da “fraternidade humana”. Somos todos irmãos, embora se esqueça que, para ser filho de Deus por adoção, necessário se faz crer em Jesus como único e suficiente Salvador e confessar os pecados (Jo 1.12; 1 Jo 1.9).

Entretanto, na “fraternidade humana”, tem-se uma “…fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra onde cada um nasceu ou habita…”[6], “…evitar toda a forma de agressão ou contenda e também viver uma «submissão» humilde e fraterna, mesmo com quem não partilhasse a sua fé.…”[7].

Defende-se, portanto, uma comunhão entre fiéis e infiéis, entre os salvos, que são “luz do mundo” (Mt 5.14), “filhos da luz, filhos do dia” (1 Ts 5.5) e as trevas e a noite, o que, à evidência, não é possível, como nos ensinam as próprias Escrituras (2 Co 6.14; 1 Jo 1.6).

Nota-se, portanto, que esta “fraternidade humana” contraria a proposta divina para o homem, contradiz abertamente a Palavra de Deus e, como tal, não pode, em absoluto, ser aceita pelos servos do Senhor Jesus, pela Sua Igreja.

Devemos, sim, amar o próximo, mas este amor, como demonstra a própria parábola do bom samaritano, não está embasada em valores religiosos, mas, sim, em amar o pecador, mas jamais o pecado.

As religiões, ao verem o homem escravizado pelo pecado, meio morto, por ter sido alvo dos “salteadores”, passam de largo, não enfrentam o verdadeiro problema.

Entretanto, a Igreja do Senhor Jesus vai ao encontro do pecador, traz-lhe a mensagem da salvação, mostrando-lhe Cristo, Aquele que derramou o Seu sangue para nos purificar de todo o pecado, mediante a pregação do Evangelho, que faz com que o Espírito Santo convença o pecador do pecado, da justiça e do juízo, que é o atar da ferida com azeite e vinho da parábola do bom samaritano.

Em seguida, leva o pecador até a estalagem, que é a igreja local, onde será ele cuidado até que possa ver o seu Senhor e Salvador, quando Ele voltar para ir ao encontro da Sua Igreja.

É esta a proposta do Evangelho, é para isto que estamos neste mundo aguardando Jesus e, por óbvio, não podemos aceitar este discurso da “fraternidade humana”, que nos levará às trevas e à perdição, até porque, como disse o Senhor Jesus: “E a condenação é esta: que a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus” (Jo 3.19-21).

Aceitar este discurso da “fraternidade humana” é deixar de reprovar o pecado, é deixar o relacionamento com Deus de lado, é, enfim, aborrecer a luz e ficar nas trevas, ficando, assim, sujeito à inevitável condenação.

Que Deus nos guarde e que não entremos em mais este discurso enganoso dos últimos tempos com que o inimigo de nossas almas procura nos afastar da salvação.

* Evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém – sede – São Paulo/SP.    


[1] Todos os seres humanos descendem de um único casal, sugere estudo. Disponível em: https://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/todos-os-seres-humanos-descendem-de-um-unico-casal-sugere-estudo-11122018 Acesso em 22 fev. 2021.

[2] Preâmbulo da Declaração de Abu-Dhabi

[3] Ibid.

[4] Declaração de Abu Dhabi

[5] Eis as palavras do Papa Francisco: “…somos todos iguais, todos filhos de Deus, e isto purifica o nosso olhar, torna-nos humanos. (…)Deves ser coerente com a tua fé. Não me vinha à mente e não se deve dizer a um menino ou a uma menina: “És judeu, és muçulmano: vem, converte-te!”. Sê coerente com a tua fé e esta coerência fará com que amadureças. Não estamos na época das cruzadas.(…) Na frente de um não-crente, a última coisa que devemos fazer é tentar convencê-lo. Nunca. A última coisa que devo fazer é falar. Devo viver em coerência com a minha fé. E será o meu testemunho a despertar a curiosidade do outro que diz: “Mas por que fazes isto?”. E então sim, posso falar. Mas atenção, nunca, nunca façais proselitismo com o evangelho. Se alguém disser que é discípulo de Jesus e vier ter contigo com proselitismo, não é um discípulo de Jesus. Não se faz proselitismo, a Igreja não cresce por proselitismo…” (Diálogo do Papa Francisco com alunos do Liceu Albertelli de Roma. Disponível em: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/december/documents/papa-francesco_20191220_visita-liceo-albertelli.html Acesso em 22 fev. 2021.

[6] Fratelli tutti, n.2

[7] Idem, n.3

Caramuru Afonso

Caramuru Afonso

Evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus - Ministério do Belém - sede - São Paulo/SP, onde é o responsável pelo Estudo dos Professores e Amigos da Escola Bíblica Dominical e professor de EBD. Doutor em Direito Civil e Bacharel em Filosofia pela USP. Juiz de Direito em São Paulo