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Ceifeiros entrevista: Sara Haleplian

Irmã Sara Haleplian recebe homenagem da AD Belém

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Nascida em 23 de novembro de 1926, ou seja, prestes a completar 96 anos de vida e de Evangelho, visto ter sido apresentada com cerca de um ano pelo fundador das Assembleias de Deus, o missionário Daniel Berg recém chegado em terras paulistas, a irmã Sara Haleplian traz em suas memórias, um amor imensurável pela sua mãe, a irmã Angelina, uma das primeiras crentes de nossa instituição na cidade de São Paulo, casada com o irmão Jonas (in memorian), multi-instrumentista e cantor do coral por mais de 70 anos; e tem o orgulho de ver os seus filhos; Sonia, Débora, Jonas (que é pastor e leva o nome do pai, já falecido) e Jair (pastor setorial da Mooca), seus netos (onze ao todo), seus bisnetos e seus tataranetos todos servindo ao Senhor, como ela própria fez questão de frisar várias vezes durante a entrevista feita no apartamento de uma de suas filhas (irmã Sonia), que a ajudou quando por algumas vezes, sua memória parecia falhar. Uma serva de Deus, com princípios éticos bem consolidados que, apesar do sobrenome armênio (Haleplian), cresceu em uma família matriarcal italiana (a Nonna) na rua do Gasômetro, zona leste da cidade de São Paulo.

Qual era a orientação religiosa de sua família antes da conversão?

Eles eram católicos praticantes. [a filha Sonia ajuda nesse momento] Quando a nonna se converteu, foi na Congregação Cristã do Brasil, que na época era chamada de Ridonanza (redundância), onde várias famílias italianas se converteram, mas não concordaram com alguns aspectos doutrinários [nessa hora a irmã Sara não quis entrar em detalhes, para não falar mal do segmento, mas arremata:] se devia ao fato dos irmãos saírem da igreja e irem ao bar beber, além de muitas brincadeiras impróprias, o que desagradou meus pais na ocasião, então as famílias (3) começaram a se reunir na casa da minha mãe, celebrando o culto a Deus, sem uma liderança pré-estabelecida.

O que a senhora lembra da sua infância e da chegada do missionário Daniel Berg à casa de seus pais?

A minha mãe conta, que em um desses cultos em casa, o missionário Daniel Berg passou na calçada da minha rua e escutou um cântico que ele identificou como um hino, e depois ouviu uma oração, e intrigado com aquilo, bateu na porta e perguntou se eles eram crentes. Minha mãe o convidou para entrar e depois aquele lugar se transformou em um ponto de pregação com cultos semanais onde o missionário dirigia, vindo de Santo André, onde ele morava, de ônibus e bonde. As lembranças que eu tenho são muito boas. Os irmãos viviam como uma família de tão unidos que éramos. Eu não perdia nenhum culto. Gostava dos hinos, da Escola Dominical, e em cada dia da semana havia culto na casa de uma dessas famílias.

A senhora possui fotos ou algum documento dessa época inicial da AD em São Paulo?

Sim, possuo algumas fotos dessa época. A minha mãe tinha um restaurante com uma pensão, e ela recebia os missionários estrangeiros chegados em São Paulo, principalmente para a convenção (provavelmente a de 1937 ou de 1947). Passaram pela casa da minha mãe Samuel Nyström, Samuel Hedlund, Jahn I. Sörhein, e muitos outros que agora não lembro [a filha Sonia diz que Samuel Nyström ia celebrar a cerimônia do casamento de sua mãe, mas devido a uma viagem, incumbiu o pastor Cícero Canuto de Lima, na época ainda residindo no Rio de Janeiro, para a tarefa, isso em 1942].

O missionário Daniel Berg tinha muita dificuldade de se comunicar em português? Como era a liturgia do culto no seu lar?

Sim, ele possuía um sotaque muito carregado, ele demorou muito para aprender, algumas vezes ele usava um intérprete para traduzir do inglês. Falava pausadamente e assim todos entendiam o que ele falava, assim também como a irmã Sara (esposa de Berg), que era do ministério de visitação, inclusive o meu nome se deu por conta dela.

Quais foram as primeiras famílias salvas para o Evangelho Pentecostal?

Além da minha família (Haleplian), também teve a família dos Ianoni, os Piro, os Salzano e os da família Gomes Moreno, que trabalhava em uma serraria e se converteu na minha casa, e depois foi consagrado a pastor [nesse momento, a irmã Sonia complementa:] Ele pregava o Evangelho no rádio, onde contava as histórias das viagens da minha mãe para a Suécia juntamente com a sua irmã, minha tia, Regina Haleplian.

O trabalho foi crescendo e a casa ficou pequena. Conte-nos um pouco sobre esse período.

Eu não frequentei o salão da Vila Carrão, que foi o primeiro na cidade de São Paulo. Nós íamos no salão da Celso Garcia, 1209, onde funcionou a primeira sede, depois mudamos para a rua Cândido Vale e depois a rua Vilela (antiga rua Cruz Branca).

Quais os pastores que a senhora teve durante a sua vida? Consegue lembrar o nome de todos eles?

O primeiro foi o missionário Daniel Berg. Depois Samuel Nyström, Samuel Hedlund, Bruno Skolimovsky, Cícero Canuto de Lima, que foi um pai pra gente, uma benção muito grande, e por fim, o pastor José Wellington Bezerra da Costa.

Qual a diferença entre a igreja na época de sua conversão para a igreja atual?

Muito grande meu irmão. Os irmãos da igreja se apegavam muito, éramos uma família, a comunhão entre os irmãos era muito próxima, muito íntima, era um prazer estar junto.

Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para essa nova geração de crentes?

Olha, eu diria o seguinte: vocês vão crescer, e o mundo oferece várias coisas que atrai, mas que Deus aborrece; existe coisas que ele aborrece e coisas que ele aceita. Fiquem firmes no caminho do Senhor, rejeitem o pecado e adorem somente a Deus, honrando o seu bendito nome. Assim como Deus fez comigo e com a minha família, pode fazer na vida de vocês também.

Geisel de Paula

Geisel de Paula é repórter do site e jornal Ceifeiros em Chamas, bacharel em teologia pela Faesp.